Novo porto de R$ 6 bilhões no RS pode influenciar as exportações de SC

Imagem: DTA Engenharia/CP/ND Mais

A pequena cidade de Arroio do Sal, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, se prepara para receber um investimento bilionário do setor privado para a construção do Porto Meridional, que deverá gerar 1,5 mil empregos diretos e milhares de vagas indiretas. No Sul de Santa Catarina, o setor empresarial acompanha com atenção esse movimento no estado vizinho.

O presidente da Acic (Associação Empresarial de Criciúma), o empresário Frank Hobold, vê a construção do Porto Meridional com otimismo, já que a estrutura deve se consolidar como uma nova opção de atendimento ao empresariado catarinense e ao agronegócio.

“A nossa economia no Brasil, infelizmente, tem andado meio de lado nos últimos anos. Mas isso não é para a vida inteira. Daqui a pouco nós vamos ver de novo um ‘boom’ de crescimento. E nós precisamos estar servidos pelos portos. Quanto mais investimento tiver, melhor”, analisa.

Arroio do Sal fica a 132 quilômetros de Criciúma, o principal centro econômico na rota entre as capitais Florianópolis e Porto Alegre. A proximidade entre as cidades é vista com bons olhos pela classe empresarial, já que representa menor custo no escoamento da produção.

“Nós temos que aplaudir todos os investimentos privados que aconteçam. E acredito que o Rio Grande do Sul tem possibilidade de ter um segundo porto forte. Eles só têm o de Rio Grande, que está bem no Sul. As empresas estão ávidas para poder exportar do porto mais próximo de si, mas cabe ao porto fazer o seu trabalho e oferecer rotas que possam beneficiar as empresas que exportam”, avalia

Porto Meridional receberá R$ 6 bilhões de investimento privado

A Câmara de Vereadores de Arroio do Sal aprovou recentemente a atualização do Plano Diretor do município, com diretrizes que permitem o uso portuário e industrial da área onde será instalado o Porto Meridional.

Ao jornal Correio do Povo, o diretor jurídico do empreendimento, André Busnello, disse que a medida representa um incentivo ao desenvolvimento econômico e social da cidade. “É um avanço muito importante para viabilizar a instalação do Porto Meridional e demonstrar o quanto a comunidade aprova o projeto e quer vê-lo viabilizado”, declarou.

O Porto Meridional será viabilizado com investimento privado que deve chegar a R$ 6 bilhões. O início das obras está previsto para 2026, com uma infraestrutura planejada para operar até 53 milhões de toneladas de cargas por ano.

A tramitação está em fase final de licenciamento ambiental, e o projeto já foi declarado de utilidade pública pelo governo do Rio Grande do Sul, além de possuir aval da Marinha, do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

E o Porto de Imbituba?

Com o projeto robusto no estado vizinho prestes a sair do papel, o momento também é de valorização do Porto de Imbituba, no Sul de SC. O presidente da Acic acredita que um porto não vai anular a capacidade do outro.

“Vai continuar vindo mercadoria para o Porto de Imbituba. Aqui na empresa somos exportadores. Mais de 40% da nossa receita é exportação. Nós tivemos recentemente que mandar contêiner para o Porto de Santos, porque os portos de Santa Catarina estavam cheios, com muito volume de carga para despachar. Cada um vai fazer funcionar e viabilizar o seu negócio. É assim que funciona. A livre concorrência é a melhor coisa que existe”, argumenta.

Obras aumentam competitividade do Porto de Imbituba 

Com o maior investimento estrutural de sua história, o Porto de Imbituba também se prepara para um salto operacional que promete mudar a logística portuária do Sul de Santa Catarina. A ampliação do Cais 3, que permitirá a recepção de navios de até 270 metros de extensão, fará com que o tempo das operações, hoje de seis dias, seja reduzido quase pela metade.

A obra, avaliada em R$ 95 milhões, está prevista para ser entregue em 2027. A nova estrutura contará com a ampliação do comprimento do cais, que passará de 245 para 271 metros, além de novos equipamentos e melhorias nos sistemas de manutenção.

Fonte: NDMais

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